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USP: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto vai adaptar questionário à realidade brasileira
A Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) vai traduzir e validar o Safety Attitudes Questionnaire (SAQ), um questionário de atitudes de segurança, cujo objetivo é conhecer a percepção de segurança dos profissionais de saúde em relação ao seu ambiente de trabalho. O questionário será avaliado quanto as suas propriedades psicométricas, traduzido e adaptado para o contexto dos hospitais brasileiros. Em seguida, será aplicado em profissionais de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de dois hospitais nas regiões Nordeste e Sudeste, e os resultados correlacionados aos valores obtidos numa escala com Indicadores de Segurança do Paciente (PSI).
Segundo a coordenadora do projeto, a professora Silvia Cassiani, da EERP, esta forma de medição é uma ferramenta importante para avaliar a qualidade da assistência prestada ao paciente e pode ser realizada antes e após implementação de intervenções como treinamento da equipe e atividades que possam minimizar o estresse dos profissionais. “O estudo, validando para o português uma escala já utilizada em nível internacional, disponibilizará um instrumento para utilização nas instituições de saúde”, afirma. “Com a avaliação dos resultados, a organização poderá verificar os pontos que necessitam de melhorias, como trabalho em equipe, estresse, satisfação profissional, percepção do profissional quanto à gerência da unidade, clima de segurança e condições de trabalho”
Resultados abrangentes
Países como Reino Unido, Austrália e Estados Unidos já utilizam o SAQ. A coordenadora afirma que nos Estados Unidos, por exemplo, a aplicação dessa escala mostrou que quanto maior as notas do questionário, ou seja, quanto maior é a percepção de segurança entre os profissionais, menores foram as taxas de infecção hospitalar. De acordo com Silvia, ainda não existe nada no Brasil que possa trazer resultados tão abrangentes. “O que temos são indicadores de qualidade por meio da avaliação de taxas de infecção hospitalar, tempo de permanência no hospital e taxas de mortalidade”, conta. “A aplicação desse questionário pode ser uma política pública e será disponibilizado a qualquer hospital interessado”.
Construído e validado nos Estados Unidos por Bryan Sexton, Eric Thomas e Robert Helmreich, do Centro de Excelência em Pesquisa e Prática em Segurança do Paciente, da Universidade do Texas, o questionário possui 63 questões que propõem mensurar a percepção de segurança dos profissionais de saúde. Nele são avaliados questões como clima de trabalho em equipe, satisfação no trabalho, percepção do profissional quanto a gerência da unidade, clima de segurança, condições de trabalho e fatores estressores. A resposta de cada questão segue a escala de cinco pontos: A- discorda fortemente B- discorda parcialmente, C- neutro, D- concorda fortemente, E- concorda parcialmente.
Aprovação
A tradução do SAQ faz parte do projeto Tradução e validação para língua portuguesa do instrumento de avaliação de atitudes de segurança, único projeto do País aprovado dentro do Programa Small Research Grants, financiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a coordenadora, foram mais de 200 projetos propostos, com 21 aprovados, sendo 5 da América Latina. “O objetivo é estimular pesquisas na área de segurança do paciente nos países em desenvolvimento e assim contribuir para promover e disseminar a cultura de segurança”, ressalta. “Foi a primeira vez que a OMS financiou projetos dentro desse tema”.
Pioneira no estudo do tema “segurança do paciente na terapêutica medicamentosa”, a EERP criou e faz parte da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente, composta por representantes de 14 estados e do Distrito Federal. Participam, ainda, da pesquisa os pós-graduandos Rhanna Emanuela Fontenele Lima de Carvalho, Adriano Max Reis, Karine Zago e Leila Pereira, da EERP.
Uma das mais importantes estratégias na área de segurança do paciente já lançada pela OMS, segundo a professora Silvia, foi a Aliança Mundial, criada em outubro de 2004. Criada para coordenar e acelerar as melhorias internacionais em matéria de segurança do paciente, ela reúne ministros da saúde, organismos internacionais em prol da segurança do paciente, associações de profissionais, organizações de consumidores entre outros especialistas no assunto. “A Aliança atua com desafios mundiais nessa área, que vão desde programas que traçam desafios como o ‘cuidado limpo é cuidado seguro’, passando por aqueles que instituem um checklist para cirurgias seguras, até investimentos em pesquisas para a segurança do paciente, onde está inserido o projeto da EERP para a tradução do SAQ”.
Essa atuação é muito ampla, engloba também a classificação internacional de segurança do paciente e, ainda, o relato e aprendizagem, que visa o desenvolvimento de Diretrizes sobre Sistemas de Relato e Aprendizagem em Eventos Adversos e, também, soluções para a segurança do paciente, intervenções ou ações para prevenir ou reduzir risco e dano ao paciente decorrente do processo de cuidado à saúde.
A professora destaca, ainda, a atuação da aliança no “Gerenciamento do Conhecimento”, que terá como objetivo agregar e compartilhar conhecimento sobre desenvolvimento da segurança do paciente globalmente, o “Eliminar infecções na corrente sanguínea associadas ao uso de catéter central”, que visa demonstrar que o trabalho desenvolvido no estado norte-americano de Michigan sobre o tema pode ser replicado em outras instituições, o que terá impacto principalmente para os pacientes de terapia intensiva, e, finalmente o “Educação para Cuidado Seguro”, que desenvolverá um guia curricular para estudantes de medicina, bem como um programa de bolsa de estudos, e o “Prêmio da Segurança”, um prêmio internacional para a excelência no campo da segurança do paciente, que pretende ser um direcionador para mudança e melhoria.
Sentinela
A Rede Sentinela, vinculada do Ministério da Saúde, reúne um grupo de hospitais em todo o país preparados para notificar eventos adversos relacionados a produtos de saúde e para avaliar e gerenciar tecnologias em saúde. Os hospitais que fazem parte desta rede, como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), segundo a professora Silvia, estão atuando cada vez mais de forma proativa em relação ao gerenciamento de riscos de pessoas e têm implementado estratégias para a criação de uma cultura para a segurança do paciente.
“O projeto Hospitais Sentinela tem despertado o interesse de diversos países com os quais a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) mantém programas de cooperação internacional”, aponta a professora. “Ele foi destaque, por exemplo, no jornal “The New York Times”, quando o modelo foi lançado nos Estados Unidos, como objetivo de estabelecer a vigilância pós-comercialização dos produtos de interesse para a saúde naquele país, além de detectar eventos adversos relacionados a eles”.
(Fonte: Rosemeire Soares Talamone, do Serviço de Comunicação Social da CCRP-USP)
quinta-feira, 30/abril, 2009
Mais informações: (16) 3602-3522 3602-4849
Via USP
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