Observe esta materia da Reuters em Chicago (EUA) - 05/07/2000
Dois artigos publicados na terça-feira (5) divergem sobre a exatidão de um estudo amplamente divulgado no ano passado que estima que mais de 98 mil norte-americanos morrem todos os anos devido a erros médicos em hospitais. Os artigos, publicados no Journal of the American Medical Association (Jama), chegam no momento em que os assessores do Congresso e do Governo Federal estão tentando encontrar maneiras de reduzir os erros médicos citados no estudo, talvez por meios confidenciais de relatar essas falhas. Um dos artigos, que se opõe ao estudo, afirma que o relatório do Instituto de Medicina de 1999 não foi desenvolvido para descrever a causa de morte verdadeira e, portanto, deu muita importância aos erros médicos em fatalidades. Entretanto, o segundo artigo defende o significado dado aos erros, afirmando que o estudo se concentrou principalmente em pacientes que provavelmente teriam sobrevivido. Clement McDonald e sua equipe da Universidade de Indiana avaliam que a confiança do Instituto de Medicina em estudos sem meios de controlar as exigências sobre os altos números de mortes que poderiam ser prevenidas foi um erro que o instituto não compreendeu. "Embora algumas mortes em hospitais possam ser prevenidas, a maioria irá ocorrer, não importa quantos 'acidentes' nós evitemos", afirmaram os pesquisadores de Indiana. "É claro que erros médicos nunca são desculpáveis, mas o risco de morte médio deve ser conhecido e considerado, antes de se estabelecer conclusões sobre o efeito real de reações adversas nas taxas de morte", disseram.Já Lucian Leape, da Escola de Saúde Pública de Harvard, avalia que o relatório de 1999 foi exato e que o sistema propenso a erros deve ser reavaliado. Ele afirma que a metodologia foi correta e que a maioria dos pacientes envolvidos não estava tão doente como o artigo da Universidade de Indiana considera e, provavelmente, eles teriam sobrevivido não fossem os erros médicos. "Raramente, erros acontecem devido a falhas pessoais, falta de adequação ou falta de cuidado", disse Leape. "Resultam de defeitos no projeto e nas condições do trabalho que levam médicos e enfermeiros cuidadosos, competentes e atenciosos a cometer erros que, normalmente, não são diferentes dos erros comuns que as pessoas cometem todos os dias". Ele acrescenta que "erros resultam de sistemas defeituosos não de pessoas falhas, por isso, é o sistema que deve ser reavaliado".
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